Levar ou não levar as crianças ao supermercado?

E minha resposta é sim! Levo meu menino de 8 anos ao supermercado sempre que não estou com pressa e que ele está animado para ir. Sei que pode parecer loucura para algumas mães, especialmente as que tem 3 ou 4 filhos, ou as que tem pouquíssimo tempo para fazer compras. Também tenho semanas mais difíceis que outras e, nestas, prefiro ir sozinha, otimizar meu tempo e poupar energia. Afinal, sabemos que com eles as compras demoram mais para serem feitas e acabamos tendo de negociar a inclusão de docinhos e similares na lista. Ainda assim, tenho 2 motivos para incentivar você a levar, sim, os pequenos ao supermercado – mesmo que seja um filho de cada vez.

1) Precisamos criar uma nova geração de meninos e meninas mais conectados com a casa, os afazeres domésticos e o trabalho todo de manutenção que um lar envolve. Acho realmente contemporâneo ver um menino de 10 ou 12 anos com uma lista de compras na mão, junto com pai ou mãe no supermercado. Fico imaginando esse menino no futuro, 15-20 anos adiante, na faculdade, morando sozinho a quilômetros dos pais.

Imaginem que delícia para uma mãe saber que seu filho sabe se virar sozinho, tem interesse em pensar no que comerá durante a semana e sabe o produto que melhor lava suas roupas. Ele não precisa efetivamente fazer o serviço doméstico ou cozinhar. Mas precisa conhecer para poder delegar, se for o caso. E também para fazer, quando for preciso. E o mesmo vale para as meninas.

  1. Acredito verdadeiramente que a criança pode e precisa participar do processo de seleção e preparação dos alimentos. É um fato que crianças que preparam e escolhem os alimentos comem melhor. A Mayra Abondanza, especialista no tema, que o diga. Meu menino, apesar de bem magro, a-do-ra comer. Ele frequentemente vai conosco ao supermercado e ao hortifruti, ajuda a escolher os alimentos, conhece os benefícios dos orgânicos. Gosto de olhar com ele as embalagens para verificar as quantidades de açúcar, sal e gordura. Nestes momentos, aproveito para explicar que todos os alimentos nos são permitidos, mas alguns devem ser ingeridos com moderação.

Algumas dicas para facilitar o “passeio”: peça ajuda à criança desde antes de sair de casa, escrevendo ou desenhando os produtos a serem comprados. Lá em casa, meu filho não só participa da lista, como também da escolha do cardápio da semana. Os maiores podem ajudar a encontrar e a colocar as compras no carrinho também (o que faz com que fiquem entretidos!), riscando-as da lista em seguida. Dependendo da idade, você pode ensinar a criança a guardar os produtos em casa – mas como são tarefas demais para um dia só, ela pode fazer as compras uma vez e, na seguinte, organizá-las. Ou o filho que ficou em casa ajuda a guardar, em revezamento.

Enfim, no mundo moderno que vislumbro, as crianças saberão, sim, fazer compras no supermercado. E o fazem porque querem, não apenas porque precisam. Elas estarão envolvidas em todos os detalhes, da lista ao preparo dos alimentos. Pois num futuro próximo, espero, serão também mais autônomas.

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